Lilia, 45.
O coração me trouxe pra este país esquisito e pra esta metrópole inesgotável. Me tornei uma dona-de-casa vadia. O juízo, as vezes nos pés, outras vezes só Deus sabe onde. O pensamento voa sempre. Fumo como uma cachorra desgostosa, bebo como uma pessoa que tem juizo e me alimento como quem tem bom paladar e protege a saúde (pra tentar compensar o efeito do cigarro). Estudei pouco, mas observei o comportamento humano (nas minhas andanças pelo mundo afora nos anos 80), e por onde passei, aprendi que ficar atenta é muito melhor do que forte. Acreditei que navegar é preciso. Me formei em relações humanas e aprendi o valor de ter uma familia e amigos de verdade.
eu mesma 5 anos depois
Lilia, 48.
O coração me trouxe pra este país que aprendi a entender. depois de alguns anos brincando de "esposa-dona-de-casa", tomei gosto pelo "silêncio das imagens" e hoje brinco também de regsitrar o que o meu coração ver por onde passo.
O juízo tá bem mais calmo, principalmete quando os hormônios param de fazer festa. O pensamento voa ainda, e até arrisco dizer que algumas vezes consigo domá-lo. larguei o cigarro e adotei a ioga. boa troca. continuo bebendo a bendita cerveja com ou sem juízo e me alimento como quem tem bom paladar e protege a saúde. Estudei muito informalmente sentada na frente da tela, o que muito me ajuda a ser uma pessoa melhor. continuo achando que ficar atenta é o caminho pra entender a fraqueza. navegar ainda é preciso mesmo que no porto seguro. e sim, continuo valorizando muito minha familia, os amigos de verdade e também todo e qualquer amor que se apresente.